Na 9ª edição da campanha #VemProUro, promovida pela Sociedade Brasileira de Urologia, o objetivo é ampliar a cobertura vacinal entre os meninos de 9 a 14 anos, além de incentivar a consulta preventiva com um médico desde o início da adolescência para torná-la um hábito.
Setembro de 2026 – Diversos tipos de cânceres, como útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe podem ser prevenidos por meio da vacinação do Papilomavírus Humano (HPV). No entanto, apesar de disponível no SUS, o País ainda não conseguiu atingir as metas desse imunizante entre os jovens, principalmente entre os meninos.
Números da Rede Nacional de Dados em Saúde do Ministério da Saúde, compilados pela SBU, revelam que, de 2014 a 2025, a taxa de cobertura no público feminino de 9 a 14 anos atingiu 86,22%, enquanto a cobertura entre o público masculino alcançou 74,55%.
Para ajudar a reverter esse quadro a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) lança a 9ª edição da campanha nacional #VemProUro, de promoção da saúde do adolescente menino. Este ano o foco central é ampliar a cobertura vacinal contra o HPV entre os meninos de 9 a 14 anos, além de incentivar a consulta preventiva com um médico desde o início da adolescência para torná-la um hábito.
Nas redes sociais (@portaldaurologia) a campanha se amplia com posts, vídeos e lives que vão esclarecer a importância da vacinação para o HPV, como também outros assuntos da idade, como varicocele, tamanho do pênis, fimose, dúvidas sobre a puberdade, anabolizantes, masturbação, ereções inoportunas etc.
“Historicamente, existe uma cultura de que a responsabilidade pela imunização contra o HPV e a prevenção de cânceres associados ao vírus recaiam predominantemente sobre as mulheres. Precisamos desmistificar essa ideia. O HPV também provoca sérios problemas de saúde nos homens, como o câncer de pênis, de ânus e de orofaringe, além de verrugas genitais. Vacinar os meninos protege a saúde do próprio jovem e reduz drasticamente a circulação do vírus na população”, destaca Dr. Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU.
Além disso, a quebra de tabus na transição do cuidado médico, também se faz necessária e importante para esse tipo de mobilização. Afinal, a frequência das adolescentes entre 12 a 19 anos non consultório médico é de quase 2,5 vezes maior que a dos adolescentes meninos. E ao se comparar a ida das meninas de 12 a 18 anos ao ginecologista, e a dos meninos ao urologista, a discrepância é ainda maior: elas realizam 18 vezes mais atendimentos que eles.
O Dr. André Tomé, urologista e Coordenador do Departamento de Urologia Geral da SBU-SP, recomenda uma consulta de avaliação urológica no momento da transição dos cuidados pediátricos que deve acontecer por volta dos 12 a 13 anos, e desta forma, estabelecer um vínculo de confiança com o especialista. “A partir de então, a periodicidade ideal é anual ou sempre que o adolescente ou a família identificarem sinais de alerta, como dor local, alterações no volume testicular, abaulamentos na virilha ou sintomas urinários anômalos”, diz o médico.
Ele recorda que, além de ajudar a família a colocar em ordem a caderneta de vacina nestas consultas, o objetivo é também orientar sobre as transformações corporais, esclarecer dúvidas sobre sexualidade e realização do rastreio preventivo de infecções e alterações anatômicas urológicas, assim como mostrar as principais comorbidades que afetam o público masculino.
“Muitos adolescentes e pais associam o urologista exclusivamente a exames de próstata na maturidade, o que gera um receio infundado em relação à especialidade. É preciso normalizar o cuidado urológico na juventude, mostrando que a consulta preventiva do adolescente é um espaço seguro de diálogo, educação em saúde e autonomia, essencial para garantir a fertilidade e o bem-estar na vida adulta.
O médico destaca ainda, que levando-se em conta que o fim da infância e início da puberdade entre 12 a 14 anos, o foco principal nessa faixa etária recai sobre o acompanhamento do desenvolvimento físico, a orientações sobre higiene íntima, alterações na voz e no corpo, e esclarecimentos iniciais sobre saúde sexual. “Adolescência intermediária e tardia (15 a 18 anos), o atendimento passa a abranger a prevenção ativa de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), a importância da vacinação contra o HPV, o uso de preservativos e a abordagem de questões psicossociais ligadas à imagem corporal e à fertilidade.
Consequências do HPV
A doença está entre as ISTs mais frequentes em todo o mundo, sendo responsável por cerca de 99% dos casos de câncer de colo de útero, mais de 80% dos tumores anais e cerca de 70% dos de orofaringe. Estima-se que 1/3 dos homens seja portador de pelo menos um tipo de HPV genital (existem mais de 200 tipos).
A transmissão ocorre pelo contato direto com a região infectada, principalmente durante relações sexuais (vaginal, anal ou oral), mesmo sem penetração ou sintomas visíveis. Na maioria dos casos, a infecção é assintomática e combatida pelo sistema imune, porém a sua persistência pode acarretar sérias complicações como o câncer. O uso do preservativo nas relações sexuais reduz as chances de contágio, mas não previne 100%, já que o vírus pode estar presente em outras regiões não cobertas. Por isso a vacinação é o método mais eficaz de combate ao HPV.






