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Perder urina não é normal e pode comprometer a qualidade de vida, as relações sociais, a saúde sexual e psicológica

Considerado um problema de saúde pública, é importante entender os mecanismos que estão ocasionando o escape. Estima-se que cerca de 45% das mulheres e 15% dos homens, acima de 40 anos, tenham incontinência urinária

Março de 2025 – A incontinência urinária é a queixa sintomática da perda de urina. Para avaliação, é essencial estabelecer os fatores causais, a gravidade, o impacto na qualidade de vida, a duração e a frequência. Um dos erros mais comuns é achar que a perda de urina é algo normal e pode ser negligenciada, nutrida pela ilusão de que melhora com o tempo, ou como parte do processo natural de envelhecimento. O fato é que, qualquer quantidade de perda de urina – quando não existe realmente vontade de urinar – precisa ser investigada.

Levantamentos da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2020 e 2024, foram realizadas cerca de 29,3 mil cirurgias para incontinência urinária. O recomendado é que, independentemente da idade, é importante que haja a procura pelo tratamento adequado, já que esse infortúnio pode piorar e se agravar com o tempo, a depender do tipo.

“É muito importante buscar o diagnóstico para entender qual é o mecanismo que está levando a essa perda para escolha do melhor tratamento. Os três tipos principais são: a incontinência urinária de esforço, em que a perda é precedida pelo esforço, como tossir, rir, espirrar, praticar exercícios ou carregar peso; incontinência de urgência, quando o indivíduo tem uma vontade súbita e incontrolável de urinar e a perda acontece; e, a incontinência mista, que mescla as características dos dois tipos anteriores”, explica a urologista Dra. Maria Cláudia Bicudo, coordenadora do Departamento de Comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia de SP, Mestre e Doutora pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), professora da Faculdade de Medicina do ABC.

Negligenciar o problema pode representar um déficit importante e considerável na qualidade de vida, além do prejuízo do ponto de vista financeiro como a compra de absorvente e fraldas, sem falar no impacto social, pois as pessoas com incontinência, muitas vezes, deixam de sair de casa com medo de ter escapes. “Quando não tratada, pode impactar a saúde e gerar complicações diretas pelo contato da urina com o genital e surgimento de lesões na pele e mucosa, conhecida como dermatite amoniacal, e, complicações indiretas pelo impacto na qualidade de vida em diferentes aspectos”, reforça a especialista.

Tratamentos

A boa notícia é que existem tratamentos que vão desde tratamentos mais conservadores a procedimentos mais invasivos, que variam conforme o tipo da incontinência a ser tratada.

A fisioterapia perineal tem elevado nível de recomendação no tratamento tanto da incontinência de esforço como na incontinência por urgência. Deve ser feita uma avaliação com um fisioterapeuta que atue com fisioterapia pélvica, de maneira completa, incluindo avaliação da postura e dos músculos pélvicos; conforme o tipo da perda, diferentes recursos podem ser utilizados.

Já os tratamentos mais invasivos para o tratamento da incontinência de esforço envolvem técnicas cujo objetivo é aumentar a resistência da uretra, com ou sem o uso de telas. Já o tratamento da incontinência de urgência envolve o uso de toxina botulínica na bexiga ou implante de marcapasso vesical, com o objetivo de controlar as urgências e, consequentemente, as perdas. “A incontinência urinária é um problema de saúde pública no Brasil e no mundo, e pode impactar de maneira negativa a qualidade de vida geral e sexual, as relações sociais, o impacto na saúde física e psicológica e por essa razão merece atenção e tratamento”, finaliza a especialista.

 

 

Dra. Maria Cláudia Bicudo

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