{"id":21113,"date":"2026-04-10T13:24:54","date_gmt":"2026-04-10T16:24:54","guid":{"rendered":"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/?p=21113"},"modified":"2026-04-10T15:06:35","modified_gmt":"2026-04-10T18:06:35","slug":"pedra-nos-rins-o-que-e-necessario-saber-para-evitar-mal-entendidos-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/pedra-nos-rins-o-que-e-necessario-saber-para-evitar-mal-entendidos-nas-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Pedra nos rins: o que \u00e9 necess\u00e1rio saber para evitar mal-entendidos nas redes sociais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>*Por Dr. Renato Nardi Pedro<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 comum ouvir no consult\u00f3rio os pacientes dizerem frases como \u201cEu sempre tive c\u00e1lculos\u201d; \u201cMinha fam\u00edlia toda tem\u201d; ou ainda \u201cA cada ano elimino uma pedrinha\u201d. Pensamentos assim podem simplificar ou ainda normalizar um problema que tem impactos negativos para a qualidade de vida e sa\u00fade dos rins. Sabe-se que, <strong>uma em cada dez pessoas desenvolver\u00e1 c\u00e1lculo urin\u00e1rio em algum momento.<\/strong><\/p>\n<p>Recentemente artigos cient\u00edficos publicados trouxeram \u00e0 tona d\u00favidas sobre o tratamento cl\u00ednico e preven\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos renais. Al\u00e9m disso, algumas novidades cientificas foram publicadas sobre os c\u00e1lculos renais que trouxeram o assunto \u00e0s m\u00eddias sociais.<\/p>\n<p>O primeiro artigo de metan\u00e1lise relacionava o aumento significativo do risco de <u>c\u00e2ncer renal<\/u> em indiv\u00edduos com hist\u00f3ria de c\u00e1lculo renal recorrente. Este assunto \u00e9 cientificamente novo, e, portanto, demanda de mais dados para que se comprove sua real import\u00e2ncia; por\u00e9m j\u00e1 denota a obriga\u00e7\u00e3o do segmento cl\u00ednico dos pacientes formadores de pedras renais.<\/p>\n<p>O outro artigo, publicado em um jornal m\u00e9dico renomado, <em>\u201cThe Lancet\u201d,<\/em> avaliou o uso de uma ferramenta eletr\u00f4nica junto ao tratamento motivacional de apoio (<em>coaching<\/em>) para disciplinar o paciente a manter ingesta h\u00eddrica suficiente para atingir mais de dois litros de diurese por dia. A ferramenta testada auxilia o paciente no controle da ingest\u00e3o de \u00e1gua.<\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o mostrou impacto significativo na redu\u00e7\u00e3o de eventos cl\u00ednicos de c\u00e1lculos no grupo que a usou, quando comparada ao grupo que recebeu \u201capenas\u201d orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para aumentar ingesta de l\u00edquidos, pois ambos os grupos apresentaram aumento da diurese e a diferen\u00e7a deste aumento n\u00e3o impactou nos desfechos do estudo. Por\u00e9m, decorrente de uma m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o, surgiram coment\u00e1rios equivocados em redes sociais de que ingerir l\u00edquidos n\u00e3o interfere na preven\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculos renais.<\/p>\n<p>Absolutamente, a ingest\u00e3o de l\u00edquidos em abund\u00e2ncia \u00e9 recomendada, ao passo que se aconselha tamb\u00e9m diminuir o consumo de sais; priorizar frutas na dieta e manter-se com peso adequado. Al\u00e9m disso, tratar doen\u00e7as cr\u00f4nicas de forma adequada e urinar mais que dois litros ao dia s\u00e3o medidas cientificamente provadas capazes de reduzir riscos de forma\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculos.<\/p>\n<p>Importante dizer que, os rins s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os vitais, pois exercem fun\u00e7\u00f5es de controle do balan\u00e7o h\u00eddrico, eletrol\u00edtico (sais e minerais) e endocrinol\u00f3gicas mais complexas com grande import\u00e2ncia na manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fade cardiovascular.<\/p>\n<p>No entanto, os rins s\u00e3o amplamente conhecidos pela produ\u00e7\u00e3o de urina, que carrega para fora do corpo os produtos da filtra\u00e7\u00e3o do sangue. \u00c9 f\u00e1cil notar as varia\u00e7\u00f5es na colora\u00e7\u00e3o de urina durante o dia; essas mudan\u00e7as s\u00e3o resultantes da concentra\u00e7\u00e3o de solvente (\u00e1gua) e soluto (sais) que indiv\u00edduos normais ingerem ou produzem ao longo de suas atividades.<\/p>\n<p>Quando a urina \u00e9 muito concentrada (supersaturada), seja por pouca \u00e1gua ou por excesso de sais, pode gerar cristais destes sais e, quando estes cristais se juntam, formam estruturas s\u00f3lidas chamadas c\u00e1lculos renais (pedra renal). Podemos formar pedras nos rins se apresentarmos pouco volume urin\u00e1rio e\/ou muito sais na urina.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o para por a\u00ed, existem alguns fatores intr\u00ednsecos aos rins que tentam coibir a forma\u00e7\u00e3o de cristais, protegendo o indiv\u00edduo contra a forma\u00e7\u00e3o de pedras. O elemento protetor mais conhecido \u00e9 o citrato urin\u00e1rio. Algumas situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas adquiridas, ou herdadas geneticamente, fazem com que haja defici\u00eancia de citrato, aumentando o risco de produ\u00e7\u00e3o dos c\u00e1lculos.<\/p>\n<p>Contrariamente ao citrato, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas (tamb\u00e9m heredit\u00e1rias ou adquiridas) em que a concentra\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio na urina seja permanentemente alta, promovendo satura\u00e7\u00e3o de sais de c\u00e1lcio e, portanto, a forma\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculos. \u00c0s vezes, as duas situa\u00e7\u00f5es (citrato baixo e c\u00e1lcio alto) ocorrem concomitantemente, acrescentado maior chance de forma\u00e7\u00e3o de pedras.<\/p>\n<p>O problema dos c\u00e1lculos urin\u00e1rios \u00e9 que eles podem obstruir o fluxo de urina e gerar muita dor. Geralmente \u00e9 descrita como \u201ca pior dor\u201d (ganhando das contra\u00e7\u00f5es do parto), de in\u00edcio s\u00fabito, geralmente em indiv\u00edduos com 40 anos em m\u00e9dia e previamente saud\u00e1veis. Comumente, h\u00e1 necessidade de controle da dor em ambiente de pronto-atendimento, pois, al\u00e9m de muito intensa, ela vem acompanhada de n\u00e1useas e v\u00f4mitos, definindo a famosa e temida \u201cc\u00f3lica renal\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tratamentos e o que se pode fazer para reduzir a forma\u00e7\u00e3o das pedras<\/strong>.<\/p>\n<p>Aumentar a ingesta de \u00e1gua, al\u00e9m de diminuir o consumo de sais (s\u00f3dio, sal de cozinha), prote\u00ednas animais e controlar ou tratar doen\u00e7as cr\u00f4nicas diminuem a incid\u00eancia de c\u00e1lculos. Sim, mudan\u00e7as comportamentais e diet\u00e9ticas s\u00e3o comprovadamente eficazes. Assim como aumentar o citrato urin\u00e1rio por aux\u00edlio medicamentoso e\/ou diet\u00e9tico como nas dietas ricas em frutas como: mel\u00e3o, maracuj\u00e1, laranja, kiwi, dentre outras.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos mais comuns s\u00e3o compostos por sais de oxalato de c\u00e1lcio (CaOx) e perfazem quase 80% dos casos. H\u00e1 outros tipos de c\u00e1lculos que podem ser oriundos de situa\u00e7\u00f5es mais especificas como c\u00e1lculos de \u00e1cido \u00farico, fosfato de c\u00e1lcio e estruvita (infecciosos). Portanto, fica clara a import\u00e2ncia de se analisar o tipo de c\u00e1lculo, para direcionar o tratamento preventivo.<\/p>\n<p>Em alguns casos as pedras podem se tornar volumosas demandando cirurgias para fragmentar e retir\u00e1-las do trato urin\u00e1rio, quanto maior o c\u00e1lculo mais complexo ser\u00e1 o tratamento. Atualmente, a base do tratamento ativo dos c\u00e1lculos urin\u00e1rios \u00e9 fundamentada na endoscopia do trato urin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Pequenos endosc\u00f3pios s\u00e3o introduzidos nas vias urin\u00e1rias e ap\u00f3s localizada a pedra, esta \u00e9 fragmentada e seus fragmentos retirados ou aspirados. Incis\u00f5es e interna\u00e7\u00f5es longas deixaram de ser necess\u00e1rias, salvo situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Esse \u00e9 o tratamento <strong>minimamente invasivo<\/strong>. H\u00e1 tamb\u00e9m a possibilidade de se fragmentar o c\u00e1lculo sem invadir o corpo, por via extracorp\u00f3rea, sendo esse tratamento indicado para casos bem selecionados; neste caso o tratamento ativo passa a ser <strong>n\u00e3o invasivo<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>A mensagem final \u00e9:<\/strong> procure ouvir seu urologista sobre as modalidades de tratamento de seu c\u00e1lculo renal, lembrando que, quanto mais cedo tra\u00e7armos o planejamento terap\u00eautico, menor ser\u00e3o os riscos de interven\u00e7\u00f5es complexas e sofrimento do paciente.<\/p>\n<p>Sa\u00fade e vamos em frente!<\/p>\n<figure id=\"attachment_21123\" aria-describedby=\"caption-attachment-21123\" style=\"width: 297px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-21123\" src=\"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dr-renato_2.png\" alt=\"\" width=\"297\" height=\"319\" srcset=\"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dr-renato_2.png 641w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dr-renato_2-280x300.png 280w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/dr-renato_2-100x107.png 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21123\" class=\"wp-caption-text\">*Dr. Renato Nardi Pedro<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Coordenador Departamento de Endourologia e Lit\u00edase da Sociedade Brasileira de Urologia de S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Dr. Renato Nardi Pedro \u00c9 comum ouvir no consult\u00f3rio os pacientes dizerem frases como \u201cEu sempre tive c\u00e1lculos\u201d; \u201cMinha fam\u00edlia toda tem\u201d; ou ainda \u201cA cada ano elimino uma pedrinha\u201d. 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