{"id":21154,"date":"2026-05-06T11:11:45","date_gmt":"2026-05-06T14:11:45","guid":{"rendered":"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/?p=21154"},"modified":"2026-05-06T11:20:02","modified_gmt":"2026-05-06T14:20:02","slug":"maio-vermelho-conscientizacao-do-cancer-de-bexiga-o-que-se-sabe-sobre-os-avancos-no-diagnostico-e-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/maio-vermelho-conscientizacao-do-cancer-de-bexiga-o-que-se-sabe-sobre-os-avancos-no-diagnostico-e-tratamento\/","title":{"rendered":"Maio vermelho: conscientiza\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer de bexiga \u2013 o que se sabe sobre os avan\u00e7os no diagn\u00f3stico e tratamento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Dr. Fernando Korkes*<\/em><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o manejo do c\u00e2ncer de bexiga tem passado por uma transforma\u00e7\u00e3o consistente, marcada tanto por avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos no diagn\u00f3stico quanto por mudan\u00e7as relevantes nas estrat\u00e9gias terap\u00eauticas. O cen\u00e1rio atual mostra uma clara transi\u00e7\u00e3o: de abordagens tradicionais, muitas vezes limitadas, para uma medicina mais precisa, personalizada e eficaz. Um dos pilares dessa evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na melhoria dos m\u00e9todos de visualiza\u00e7\u00e3o da bexiga.<\/p>\n<p>A cistoscopia, exame central no diagn\u00f3stico da doen\u00e7a, ganhou refor\u00e7o com tecnologias como a imagem por narrow-band imaging (NBI). Esses recursos aumentam significativamente a detec\u00e7\u00e3o de les\u00f5es planas e tumores pequenos, historicamente mais dif\u00edceis de identificar. Na pr\u00e1tica, isso significa diagn\u00f3sticos mais precoces e maior precis\u00e3o na ressec\u00e7\u00e3o dos tumores \u2014 fatores diretamente relacionados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de recorr\u00eancia e progress\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>No tratamento da doen\u00e7a n\u00e3o m\u00fasculo-invasiva, o BCG (Bacilo de Calmette-Gu\u00e9rin) permanece como uma das terapias mais eficazes j\u00e1 desenvolvidas em oncologia urol\u00f3gica. Apesar de ser utilizado h\u00e1 d\u00e9cadas, houve uma revaloriza\u00e7\u00e3o recente do BCG, impulsionada por melhor compreens\u00e3o de esquemas ideais, manejo de toxicidade e sele\u00e7\u00e3o de pacientes. Protocolos contempor\u00e2neos, com manuten\u00e7\u00e3o adequada e melhor ades\u00e3o, t\u00eam demonstrado resultados superiores aos historicamente observados. Al\u00e9m disso, o BCG passou a ser visto n\u00e3o como uma terapia isolada, mas como uma plataforma imunol\u00f3gica que pode ser potencializada.<\/p>\n<p>Nesse contexto, surge uma nova fronteira: a combina\u00e7\u00e3o do BCG com imunoterapias modernas, como inibidores de checkpoint imunol\u00f3gico. Essa estrat\u00e9gia busca amplificar a resposta imune local e sist\u00eamica, aumentando a efic\u00e1cia do tratamento e possivelmente reduzindo falhas terap\u00eauticas \u2014 um campo ainda em expans\u00e3o, mas extremamente promissor.<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7a avan\u00e7ada: o decl\u00ednio da quimioterapia como padr\u00e3o \u00fanico<\/strong><\/p>\n<p>Se na doen\u00e7a inicial o BCG se reinventa, nos est\u00e1gios mais avan\u00e7ados a mudan\u00e7a \u00e9 ainda mais disruptiva. A quimioterapia baseada em platina, por d\u00e9cadas o padr\u00e3o de tratamento, vem gradualmente perdendo protagonismo. No seu lugar, destacam-se tr\u00eas grandes classes terap\u00eauticas:<\/p>\n<p>* Imunoterapia (anti-PD-1\/PD-L1), que trouxe ganhos de sobrevida e respostas duradouras em uma parcela significativa de pacientes;<\/p>\n<p>* Terapias-alvo, especialmente em tumores com altera\u00e7\u00f5es moleculares espec\u00edficas (como FGFR);<\/p>\n<p>* Anticorpos droga-conjugados (ADCs), uma das inova\u00e7\u00f5es mais relevantes da oncologia recente, que combinam especificidade tumoral com alta pot\u00eancia citot\u00f3xica.<\/p>\n<p>Essas abordagens n\u00e3o apenas ampliaram o arsenal terap\u00eautico, como tamb\u00e9m mudaram a l\u00f3gica do tratamento: hoje, a sequ\u00eancia e combina\u00e7\u00e3o dessas terapias permitem estrat\u00e9gias mais individualizadas, com melhores resultados cl\u00ednicos e, em muitos casos, menor toxicidade.<\/p>\n<p>Talvez o aspecto mais relevante dessa evolu\u00e7\u00e3o seja o impacto nos desfechos. Observa-se uma melhora progressiva no controle da doen\u00e7a e, em determinados cen\u00e1rios \u2014 inclusive metast\u00e1ticos selecionados \u2014, um aumento nas taxas de resposta completa e sobrevida prolongada. Embora o termo \u201ccura\u201d ainda deva ser utilizado com cautela em doen\u00e7a avan\u00e7ada, o fato \u00e9 que o c\u00e2ncer de bexiga est\u00e1 deixando de ser uma neoplasia com op\u00e7\u00f5es limitadas para se tornar um campo din\u00e2mico, com m\u00faltiplas linhas terap\u00eauticas eficazes.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer de bexiga vive hoje uma fase de transforma\u00e7\u00e3o profunda. Do aprimoramento diagn\u00f3stico \u00e0 sofistica\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, passando pela revaloriza\u00e7\u00e3o de tratamentos cl\u00e1ssicos como o BCG e pela incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologias inovadoras, o cen\u00e1rio atual aponta para um futuro mais promissor. Nos pr\u00f3ximos anos, a tend\u00eancia \u00e9 clara: tratamentos mais personalizados, maior integra\u00e7\u00e3o entre modalidades terap\u00eauticas e, sobretudo, melhores resultados para os pacientes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_20634\" aria-describedby=\"caption-attachment-20634\" style=\"width: 245px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-20634\" src=\"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Fernando_Korkes-e1748030778853.jpg\" alt=\"\" width=\"245\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Fernando_Korkes-e1748030778853.jpg 1015w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Fernando_Korkes-e1748030778853-269x300.jpg 269w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Fernando_Korkes-e1748030778853-920x1024.jpg 920w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Fernando_Korkes-e1748030778853-768x855.jpg 768w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Fernando_Korkes-e1748030778853-990x1102.jpg 990w\" sizes=\"auto, (max-width: 245px) 100vw, 245px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-20634\" class=\"wp-caption-text\">* Dr. Fernando Korkes<\/figcaption><\/figure>\n<p>Urologista e Coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dr. Fernando Korkes* Nos \u00faltimos anos, o manejo do c\u00e2ncer de bexiga tem passado por uma transforma\u00e7\u00e3o consistente, marcada tanto por avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos no diagn\u00f3stico quanto por mudan\u00e7as relevantes nas estrat\u00e9gias terap\u00eauticas. 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