{"id":21196,"date":"2026-06-26T09:46:14","date_gmt":"2026-06-26T12:46:14","guid":{"rendered":"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/?p=21196"},"modified":"2026-06-26T09:46:14","modified_gmt":"2026-06-26T12:46:14","slug":"tabagismo-obesidade-hipertensao-arterial-dentre-outros-sao-fatores-de-risco-para-o-aparecimento-do-cancer-renal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/tabagismo-obesidade-hipertensao-arterial-dentre-outros-sao-fatores-de-risco-para-o-aparecimento-do-cancer-renal\/","title":{"rendered":"Tabagismo, obesidade, hipertens\u00e3o arterial, dentre outros, s\u00e3o fatores de risco para o aparecimento do c\u00e2ncer renal"},"content":{"rendered":"<p><em>A doen\u00e7a atinge pessoas entre 50 a 70 anos, sendo mais comum aos 65 anos. Nas crian\u00e7as, predomina um tipo espec\u00edfico denominado tumor de Wilms, que possui caracter\u00edsticas cl\u00ednicas e patol\u00f3gicas distintas do tumor do adulto.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><strong>Junho de 2026<\/strong> \u2013 De 2026 a 2028, estima-se que o Pa\u00eds registre anualmente mais de oito mil casos novos de c\u00e2ncer de rim, segundo estat\u00edsticas do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA). \u00c9 o 15\u00ba tipo de c\u00e2ncer mais comum no Brasil, sendo a 17\u00aa causa de morte, aponta o Global Cancer Observatory. A incid\u00eancia da doen\u00e7a acomete 60% dos homens e 40% das mulheres.<\/p>\n<p>Estudo realizado com pacientes do SUS mostrou <u>31.388 mil<\/u> hospitaliza\u00e7\u00f5es por neoplasia renal durante o per\u00edodo de 2013 a 2023, com uma tend\u00eancia de aumento anual nas taxas interna\u00e7\u00f5es, em especial nas pessoas acima de 60 anos, em ambos os sexos e em todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cOs casos vem aumentando nas \u00faltimas d\u00e9cadas, provavelmente devido ao uso generalizado de exames de imagem como o ultrassom e tomografia de abdome para triagem cl\u00ednica na popula\u00e7\u00e3o. O tabagismo continua sendo um dos fatores de risco mais importantes, dobrando as chances de desenvolver a doen\u00e7a. A obesidade aumenta em 50% o risco da doen\u00e7a, seguida pela hipertens\u00e3o arterial, assim como insufici\u00eancia renal cr\u00f4nica em di\u00e1lise\u201d, explica o urologista Professor Marcus Sadi, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia \u2013 Seccional S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, a exposi\u00e7\u00e3o a produtos como\u00a0amianto, c\u00e1dmio, derivados de petr\u00f3leo, assim como o contato com subst\u00e2ncias usadas no curtimento de couro, tamb\u00e9m aumentam o risco de c\u00e2ncer de rim.<\/p>\n<p>Existe ainda uma diferen\u00e7a gen\u00e9tica entre o c\u00e2ncer renal heredit\u00e1rio, e o n\u00e3o heredit\u00e1rio (espor\u00e1dico). \u00a0\u201cNos casos heredit\u00e1rios (germinativo) nasce-se com uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica em todas as c\u00e9lulas do corpo, herdada dos pais, representando 5 a 8% dos casos que, em geral, surgem antes dos 45 e 50 anos. No c\u00e2ncer renal espor\u00e1dico (som\u00e1tico) uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica acontece ao acaso, no \u00f3rg\u00e3o comprometido, sem ser herdada. \u00c9 a forma mais comum da doen\u00e7a, em mais de 90% dos casos, e acontece mais comumente em pessoas com idade superior a 50 e 60 anos\u201d, diz o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Nos est\u00e1gios iniciais, o c\u00e2ncer renal n\u00e3o apresenta sintomas. Por isso, o ideal \u00e9 encontrar o tumor assintom\u00e1tico, ativamente por exames de imagem e, justamente por isso, a import\u00e2ncia da detec\u00e7\u00e3o precoce. De fato, isso ocorre com frequ\u00eancia na atualidade. Estima-se que mais da metade dos casos s\u00e3o diagnosticados em exames de imagem de abdome realizados por outros motivos, sendo que esse percentual pode chegar a 80% nos casos de tumores pequenos de at\u00e9 4 cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>\u201cCom a progress\u00e3o da doen\u00e7a e, nos est\u00e1dios mais avan\u00e7ados, surgem sinais e sintomas. \u00c9 comum a presen\u00e7a de hemat\u00faria (sangue na urina) que pode ser macrosc\u00f3pica (identificada visualmente pelos pacientes) ou microsc\u00f3pica (detectada somente no exame de urina). Outras manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o dor lombar, presen\u00e7a de massa na regi\u00e3o lombar ou no hipoc\u00f4ndrio, perda de peso inexplic\u00e1vel, febre sem causa aparente, fadiga intensa e sensa\u00e7\u00e3o de mal-estar geral\u201d, diz Marcus Sadi.<\/p>\n<p><strong>Impacto na qualidade de vida e tratamentos <\/strong><\/p>\n<p>A sobrevida mediana dos pacientes com c\u00e2ncer renal em cinco anos est\u00e1 ao redor de 75%, mas esses percentuais variam de acordo com o est\u00e1gio da doen\u00e7a no momento do diagn\u00f3stico. Para tumores pequenos e restritos ao rim, que s\u00e3o submetidos \u00e0 cirurgia, essas taxas s\u00e3o superiores a 90%. Nesses casos, ap\u00f3s o tratamento, os pacientes t\u00eam uma vida completamente normal.<\/p>\n<p>\u201cO risco de recidiva tumoral deve ser avaliado com base em diversos fatores cl\u00ednicos e patol\u00f3gicos. Pode ser local, quando ocorre pr\u00f3xima do c\u00e2ncer renal original ou \u00e0 dist\u00e2ncia, mais frequentemente nos\u00a0pulm\u00f5es, ossos, f\u00edgado e c\u00e9rebro. O maior risco de recidiva ocorre nos\u00a0primeiros cinco anos\u00a0ap\u00f3s o tratamento, mas a doen\u00e7a pode recidivar tardiamente e por isso, o acompanhamento de longo prazo \u00e9 fundamental\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o especialista, a recidiva est\u00e1 fortemente ligada ao est\u00e1gio do tumor ao diagn\u00f3stico: tumores pequenos e restritos ao rim t\u00eam sobrevida de cinco anos ao redor de 95%\u00a0 dos casos. \u201cPor outro lado, tumores localmente avan\u00e7ados t\u00eam risco aumentado de recidiva da doen\u00e7a, \u00a0em 20% a 40% dos casos. Outros fatores importantes para recidivas s\u00e3o: grau nuclear do tumor; subtipo histol\u00f3gico; margens cir\u00fargicas positivas; idade mais avan\u00e7ada; sexo masculino; presen\u00e7a de sintomas; altera\u00e7\u00f5es nos exames laboratoriais ao diagn\u00f3stico\u201d, afirma.<\/p>\n<p>As estrat\u00e9gias de tratamento s\u00e3o baseadas no est\u00e1gio da doen\u00e7a e na avalia\u00e7\u00e3o de risco do paciente. Deve-se considerar tamb\u00e9m os subtipos histol\u00f3gicos do c\u00e2ncer renal, uma vez que eles diferem em suas caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas e cl\u00ednicas. O tratamento endovenoso sist\u00eamico pode ser necess\u00e1rio para pacientes com tumores avan\u00e7ados, quer sejam operados ou n\u00e3o, e isso pode afetar negativamente a qualidade de vida.<\/p>\n<p>Entretanto, v\u00e1rios estudos confirmam que, mesmo nos casos de tumores metast\u00e1ticos que necessitam submeter-se ao tratamento sist\u00eamico, h\u00e1 uma grande melhora no bem-estar emocional, social e f\u00edsico, incluindo desaparecimento de sintomas como fadiga, dor, melhora de sono e apetite em curto per\u00edodo.<\/p>\n<p>De acordo com as diretrizes internacionais, o c\u00e2ncer renal geralmente \u00e9 tratado com nefrectomia parcial, quando os tumores t\u00eam tamanho pequeno e localiza\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica favor\u00e1vel, ou com nefrectomia radical quando existem tumores de maior volume. \u201cA nefrectomia parcial para tumores com at\u00e9 quatro cent\u00edmetros, com preserva\u00e7\u00e3o do rim, deve ser a primeira op\u00e7\u00e3o terap\u00eautica quando tecnicamente vi\u00e1vel, pois oferece o mesmo percentual de cura comparada com a ex\u00e9rese total do rim, e preserva melhor a fun\u00e7\u00e3o cardiovascular de longo prazo\u201d, aponta o urologista.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, segundo ele, deve-se ter o cuidado de selecionar corretamente cada caso para n\u00e3o deixar margens cir\u00fargicas positivas (tumor residual) ap\u00f3s o procedimento, pois isso pode afetar adversamente os resultados de cura. A maioria dessas cirurgias s\u00e3o realizadas por via minimamente invasiva, seja por via laparosc\u00f3pica exclusiva ou com aux\u00edlio de rob\u00f4s.<\/p>\n<p>Outra modalidade de tratamento \u00e9 a abla\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica percut\u00e2nea, em geral, crioterapia ou a radiofrequ\u00eancia, ambas consideradas boas op\u00e7\u00f5es para casos de c\u00e2nceres renais pequenos. Raramente pode-se utilizar a radioterapia estereot\u00e1xica, uma t\u00e9cnica que utiliza radia\u00e7\u00e3o de alta precis\u00e3o ou vigil\u00e2ncia ativa, mais comum para os casos que n\u00e3o s\u00e3o eleg\u00edveis ao tratamento cir\u00fargico.<\/p>\n<p>Para os pacientes com a doen\u00e7a de maior volume ou agressividade, que, em geral, s\u00e3o submetidos \u00e0 nefrectomia radical, recomenda-se o uso de imunoterapia ap\u00f3s a cirurgia (adjuvante) para casos selecionados. J\u00e1 nos casos metast\u00e1ticos, as terapias sist\u00eamicas com agentes imunoter\u00e1picos e inibidores da tirosina-quinase s\u00e3o recomendadas.<\/p>\n<p>\u201cA detec\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 a maior aliada do paciente e nisso as campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o t\u00eam um papel important\u00edssimo ao alertar a popula\u00e7\u00e3o sobre a doen\u00e7a e os impactos na sa\u00fade a curto e longo prazo\u201d, finaliza.<\/p>\n<figure id=\"attachment_21199\" aria-describedby=\"caption-attachment-21199\" style=\"width: 375px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-21199\" src=\"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_20260626_093618.jpg.jpeg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_20260626_093618.jpg.jpeg 1280w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_20260626_093618.jpg-300x219.jpeg 300w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_20260626_093618.jpg-1024x749.jpeg 1024w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_20260626_093618.jpg-768x562.jpeg 768w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_20260626_093618.jpg-100x73.jpeg 100w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_20260626_093618.jpg-74x55.jpeg 74w, https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_20260626_093618.jpg-990x724.jpeg 990w\" sizes=\"auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21199\" class=\"wp-caption-text\">Dr. Marcus Sadi<\/figcaption><\/figure>\n<p>Urologista, Coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia \u2013 Seccional S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A doen\u00e7a atinge pessoas entre 50 a 70 anos, sendo mais comum aos 65 anos. 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