{"id":9843,"date":"2017-10-27T15:45:07","date_gmt":"2017-10-27T18:45:07","guid":{"rendered":"http:\/\/sbu-sp.org.br\/?p=9843"},"modified":"2018-01-24T10:00:41","modified_gmt":"2018-01-24T13:00:41","slug":"nota-oficial-2017-rastreamento-do-cancer-de-prostata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sbu-sp.org.br\/publico\/nota-oficial-2017-rastreamento-do-cancer-de-prostata\/","title":{"rendered":"Nota Oficial 2017 &#8211; Rastreamento do C\u00e2ncer de Pr\u00f3stata"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong>NOTA OFICIAL 2017<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Rastreamento do C\u00e2ncer de Pr\u00f3stata<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA<\/strong><\/p>\n<p>O c\u00e2ncer de pr\u00f3stata (CaP) permanece como a neoplasia s\u00f3lida mais comum e a segunda maior causa de \u00f3bito oncol\u00f3gico no sexo masculino. Segundo\u00a0<u>dados do Instituto Nacional do C\u00e2ncer (INCA)\u00a0<\/u>foram estimados 61.200 novos casos em 2016\/2017 no Brasil, constituindo<u>\u00a0o tipo de c\u00e2ncer mais incidente nos homens (excetuando-se o c\u00e2ncer de pele n\u00e3o-melanoma) em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, com 28,6% dos casos<\/u>. Apesar dos avan\u00e7os terap\u00eauticos, cerca de 25% dos pacientes com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata ainda morrem devido \u00e0 doen\u00e7a. (1) Atualmente, cerca de 20% ainda s\u00e3o diagnosticados em est\u00e1gios avan\u00e7ados, embora um decl\u00ednio importante tenha ocorrido nas \u00faltimas d\u00e9cadas em decorr\u00eancia, principalmente, de pol\u00edticas de rastreamento da doen\u00e7a e maior conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o masculina. (2)<\/p>\n<p>O rastreamento universal de toda popula\u00e7\u00e3o masculina (sem considerar idade, ra\u00e7a e hist\u00f3ria familiar) apresenta controv\u00e9rsias, pois pode diagnosticar, entre outros, c\u00e2ncer de pr\u00f3stata de baixa agressividade que n\u00e3o necessita de tratamento, cujos pacientes s\u00e3o submetidos a biopsias, que t\u00eam potencial de complica\u00e7\u00f5es (infec\u00e7\u00e3o local). Individualizar a abordagem \u00e9 fundamental neste sentido. A identifica\u00e7\u00e3o de pacientes com risco de desenvolver a doen\u00e7a de forma mais agressiva, atrav\u00e9s de par\u00e2metros cl\u00ednicos ou laboratoriais, pode ajudar a individualizar a indica\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia do rastreamento. Entre diversos fatores, a idade, a ra\u00e7a e a hist\u00f3ria familiar apresentam-se como os mais importantes (3). An\u00e1lise recente de dois estudos avaliando tardiamente os resultados quanto \u00e0 mortalidade c\u00e2ncer-espec\u00edfica mostra vantagem a favor desses programas com diminui\u00e7\u00e3o da taxa de mortalidade de 25% a 31% (estudo ERSPC) e de 27% a 32% (estudo PLCO) em compara\u00e7\u00e3o aos pacientes que n\u00e3o foram randomizados. (4).<\/p>\n<p>Para pacientes diagnosticados com tumores de baixo risco a vis\u00e3o contempor\u00e2nea \u00e9 o oferecimento do regime de observa\u00e7\u00e3o vigilante como conduta e<u>\u00a0consiste de avalia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas\u00a0<\/u>por meio<u>\u00a0de toque retal e dosagens do PSA, reservando-se a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica da pelve e\/ou bi\u00f3psia prost\u00e1tica para ser realizada em intervalos variados. O tratamento definitivo deve ser indicado caso seja identificada progress\u00e3o da doen\u00e7a em pacientes com expectativa de vida maior que 10(dez) anos, poupando pacientes com tumores \u201cindolentes\u201d das conseq\u00fc\u00eancias do tratamento.<\/u><\/p>\n<p>Por outro lado, pacientes portadores de tumores classificados como de risco de progress\u00e3o alto ou moderado podem, em fases iniciais, serem adequadamente tratados e curados.<\/p>\n<p>Como esperado, as consequ\u00eancias da equivocada resolu\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>U.S. Preventive Services Task Force<\/em>\u00a0(USPSTF, EUA, 2011), contr\u00e1ria ao rastreamento sistem\u00e1tico, come\u00e7am a aparecer. Trabalho apresentado no \u201c2015\u00a0<em>Genitourinary Cancers Symposium\u201d<\/em>\u00a0provocou ainda mais discuss\u00e3o sobre o tema e refor\u00e7ou o papel do rastreamento. Foram avaliados retrospectivamente 87.562 novos casos diagnosticados entre 2003 e 2013 em 150 institui\u00e7\u00f5es nos EUA. Demonstrou-se que ap\u00f3s a recomenda\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>U.S. Preventive Services Task Force<\/em>\u00a0houve aumento de 3% ao ano no diagn\u00f3stico de tumores de risco intermedi\u00e1rio e de alto risco. (3)\u00a0<u>Outra publica\u00e7\u00e3o recente mostrou redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de diagn\u00f3sticos de tumores agressivos, o que cria preocupa\u00e7\u00e3o de que o diagn\u00f3stico tardio em casos de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata de alto risco possa acarretar maior impacto para a sa\u00fade p\u00fablica e resultados oncol\u00f3gicos no futuro.(5)<\/u><\/p>\n<p>A Sociedade Brasileira de Urologia mant\u00e9m sua recomenda\u00e7\u00e3o de que homens a partir de 50 anos devem procurar um profissional especializado, para avalia\u00e7\u00e3o individualizada. Aqueles da ra\u00e7a negra ou com parentes de primeiro grau com c\u00e2ncer de pr\u00f3stata devem come\u00e7ar aos 45 anos. O rastreamento dever\u00e1 ser realizado ap\u00f3s ampla discuss\u00e3o de riscos e potenciais benef\u00edcios.\u00a0<u>Ap\u00f3s os 75 anos poder\u00e1 ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de 10 anos.<\/u><\/p>\n<p><strong>Sociedade Brasileira de Urologia &#8211; Gest\u00e3o 2016\/2017<\/strong><\/p>\n<p><strong>Setembro de 2017<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>Instituto Nacional de C\u00e2ncer Jos\u00e9 Alencar Gomes da Silva. Coordena\u00e7\u00e3o de Preven\u00e7\u00e3o e Vigil\u00e2ncia-Estimativa 2016: incid\u00eancia de c\u00e2ncer no Brasil \/ Instituto Nacional de C\u00e2ncer Jos\u00e9 Alencar Gomes da Silva \u2013 Rio de Janeiro: INCA, 2015.<\/li>\n<\/ol>\n<p>ISBN 978-85-7318-284-2 (vers\u00e3o impressa) ISBN 978-85-7318-283-5 (vers\u00e3o eletr\u00f4nica)(http:\/\/www.inca.gov.br\/bvscontrolecancer\/publicacoes\/edicao\/Estimativa_2016.pdf<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Armstrong AJ, Garrett-Mayer E, de Wit R, Tannock I, Eisenberger M. Prediction of survival following first-line chemotherapy in men with castration-resistant metastatic prostate cancer. Clin Cancer Res. 2010;16(1):203-11.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>Matthew David Hall TES, Ginamarie Farino, Jeffrey Y.C. Wong; City of Hope, Duarte, CA; Methodist Hospital of Southern California, Arcadia, CA. Increase in higher risk prostate cancer cases following new screening recommendation by the US Preventive Services Task Force (USPSTF). J Clin Oncol 33, 2015 (suppl 7; abstr 143)2015.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"4\">\n<li>Tsodikov A<sup>1<\/sup>,\u00a0Gulati R<sup>1<\/sup>,\u00a0Heijnsdijk EAM<sup>1<\/sup>,\u00a0Pinsky PF<sup>1<\/sup>,\u00a0Moss SM<sup>1<\/sup>,\u00a0Qiu S<sup>1<\/sup>,\u00a0de Carvalho TM<sup>1<\/sup>,\u00a0Hugosson J<sup>1<\/sup>,\u00a0Berg CD<sup>1<\/sup>,\u00a0Auvinen A<sup>1<\/sup>,\u00a0Andriole GL<sup>1<\/sup>,\u00a0Roobol MJ<sup>1<\/sup>,\u00a0Crawford ED<sup>1<\/sup>,\u00a0Nelen V<sup>1<\/sup>,\u00a0Kwiatkowski M<sup>1<\/sup>,\u00a0Zappa M<sup>1<\/sup>,\u00a0Luj\u00e1n M<sup>1<\/sup>,\u00a0Villers A<sup>1<\/sup>,\u00a0Feuer EJ<sup>1<\/sup>,\u00a0de Koning HJ<sup>1<\/sup>,\u00a0Mariotto AB<sup>1<\/sup>,\u00a0Etzioni R<sup>1<\/sup>. Reconciling the Effects of Screening on Prostate Cancer Mortality in the ERSPC and PLCO Trials. Ann Intern Med.2017 Sep 5. doi:\u00a010.7326\/M16-2586. [Epub ahead of print]<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"5\">\n<li>Barocas DA, Mallin K, Graves AJ, Penson DF, Palis B, Winchester DP, et al. Effect of the USPSTF Grade D Recommendation against Screening for Prostate Cancer on Incident Prostate Cancer Diagnoses in the United States. J Urol. 2015.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NOTA OFICIAL 2017 Rastreamento do C\u00e2ncer de Pr\u00f3stata SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA O c\u00e2ncer de pr\u00f3stata (CaP) permanece como a neoplasia s\u00f3lida mais comum e a segunda maior causa de \u00f3bito oncol\u00f3gico no sexo masculino. 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