*Dr. Claudio Murta
Com incidência de casos estimada em 1,3 por 100 mil habitantes no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde/Instituto do Câncer – INCA, o câncer de pênis impacta negativamente a qualidade de vida e função sexual em muitos homens que procuram ajuda tardiamente.
Ainda que seja um tumor raro, 460 amputações do órgão acontecem anualmente no SUS, o que preocupa muito. Sabemos que esse número seria infinitamente menor se a informação sobre riscos e sequelas deixadas pela doença atingissem a todos.
A doença é mais comum em homens acima de 50 anos, mas também pode ocorrer em adultos jovens, especialmente se expostos a fatores de risco como o HPV – papilomavírus humano. Além disso, outros fatores de risco favorecem o aparecimento da doença como fimose (condição não tratada na infância), falta de higiene adequada no pênis e o hábito do tabagismo.
Entre os sinais de alerta típicos estão:
- Ferida/lesão no pênis que não cicatriza;
- Caroço;
- Espessamento;
- Inchaço;
- Mudança de cor ou textura da pele;
- Secreção com mau cheiro;
- Sangramento;
- E ínguas (caroços) na virilha (pode sugerir linfonodos).
A detecção precoce aumenta a chance de tratamentos conservadores para preservação do órgão e reduz a necessidade de cirurgias mutilantes. Além disso, permite o controle local e tratar/estadiar precocemente os linfonodos inguinais, chamados de gânglios da virilha, pequenas estruturas de defesa do sistema imunológico, divididas em grupos superficiais e profundos, localizados na dobra entre a coxa e o abdômen, que são ponto chave no prognóstico.
Tratamentos atuais
O tratamento depende muito do estágio da doença (lesões iniciais e invasivas avançadas), mas hoje temos condutas mais “atualizadas”, que incluem o tópico como fluorouracil ou imiquimode, em casos selecionados, com controle e biópsia se necessário. Além disso, laser em lesões superficiais selecionadas.
Já nos casos de doença localizada (invasiva) são indicadas as cirurgias com foco em preservação quando possível: circuncisão terapêutica, excisão ampla, resurfacing, glansectomia e reconstruções. Quando necessário, e a depender do caso, é sugerida a penectomia parcial/total e, em casos avançados localmente, ainda é recomendado a radioterapia/braquiterapia em situações selecionadas (especialmente para preservação), em centros experientes.
Nos casos em que a doença já apresenta estágio avançado/metastático, a recomendação é a quimioterapia e imunoterapia para aumento do controle da doença.
A boa notícia é que é possível reduzir o risco, já que é um dos cânceres com chance de prevenção. Entre as recomendações estão:
- Vacinação contra HPV;
- Preservativo (reduz risco de IST/HPV, embora não proteja 100%);
- Higiene íntima adequada, especialmente sob o prepúcio;
- Avaliar e tratar fimose (em crianças/adolescentes e adultos, quando presente);
- Parar tabagismo e reduzir fatores de risco gerais (ajuda no risco oncológico como um todo).
Por fim, as campanhas de conscientização sobre a doença ajudam a reduzir a vergonha e o estigma da doença, aumentam a procura por autoexame e atendimento precoce no serviço de saúde, além de elevar a cobertura de vacinação contra o HPV, que pode diminuir o número de casos e evitar amputações.

Urologista, Coordenador do Departamento de Uro-Oncologia de tumor genitais, pênis, testículos e uretra da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo. É especialista em cirurgia robótica com mais de 20 anos de atuação.






