Por Dr. Lucas Seiti Takemura*
A recente inclusão da prostatectomia radical robótica (procedimento para remoção completa da próstata nos casos de câncer de próstata) no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) retrata uma importante era que estamos vivendo: as cirurgias minimamente invasivas em destaque no cenário nacional.
Embora inicialmente restrito a um procedimento específico da urologia, trata-se de um marco em saúde e sinaliza um avanço regulatório importante. No Sistema Único de Saúde (SUS), como sabemos, a expansão deste tipo de tecnologia começa a ser incorporada aos poucos, mas também já é uma realidade em alguns centros de referência.
Apesar do nome, é importante esclarecer que não estamos falando daquele clássico robô em forma de humano, que logo nos vem à mente por conta dos filmes de ficção científica. Também não estamos falando de um robô independente, que toma decisões e opera sozinho.
De forma bastante simplificada, o robô nada mais é do que uma plataforma com vários “braços” mecânicos, que são acoplados ao paciente no momento da cirurgia e funcionam como uma extensão das mãos do cirurgião dentro do corpo do paciente, reproduzindo todos os movimentos feitos por ele do lado de fora.
Assim como na cirurgia laparoscópica (“cirurgia por vídeo”), todo o procedimento é realizado por meio de pequenos cortes na pele, por onde entram os instrumentais cirúrgicos, sem a necessidade de grandes incisões, como na cirurgia aberta. Além de proporcionar um melhor resultado estético, isso diminui o risco de complicações da ferida, reduz a dor no pós-operatório, diminui o tempo de internação e acelera o retorno do paciente às suas atividades habituais.
Além disso, toda a cirurgia é realizada utilizando-se uma câmera de alta definição, que permite a obtenção de imagens tridimensionais e ampliadas do órgão que desejamos operar, fornecendo detalhes anatômicos que, muitas vezes, não são vistos a olho nu.
Os braços robóticos também fazem com que os movimentos das pinças dentro do corpo do paciente sejam extremamente delicados e precisos, eliminando qualquer tipo de tremor natural das mãos do cirurgião e possibilitando ângulos e movimentos que seriam difíceis ou impossíveis de executar naturalmente. Na prática, isso se traduz em uma cirurgia muito mais segura para o paciente e permite que procedimentos complexos sejam realizados com maior facilidade.
Apesar da cirurgia robótica já estar presente na rotina de quase todas as especialidades cirúrgicas, é importante ressaltar que ela não é indicada para todos os casos. A escolha da técnica depende de diversos fatores, incluindo o tipo de doença que está sendo tratada, características do paciente, além de disponibilidade tecnológica.
Por fim, cabe lembrar que, por trás do robô, existe toda uma equipe multidisciplinar empenhada para que a cirurgia transcorra da melhor forma possível. Apesar de ser uma ferramenta poderosa, o robô não opera sozinho e seu potencial só é plenamente aproveitado quando está nas mãos de profissionais treinados.
Quando combinamos tecnologia de ponta com expertise, o maior beneficiado é sempre o paciente.

Urologista do Hospital Albert Einstein, Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo.






