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Abril Lilás: conscientização sobre o diagnóstico do câncer de testículo pode salvar vidas

*Por Dr. Claudio Murta

Ao longo da minha prática como urologista, uma coisa sempre me chama a atenção: algumas das doenças com maior chance de cura ainda são aquelas que mais sofrem com o silêncio. O câncer de testículo é um bom exemplo disso. Com uma incidência de casos de até 5% na população masculina no País, apesar de não ser um dos tumores mais frequentes, é o mais comum em homens jovens, especialmente entre os 15 e 40 anos.

Justamente por atingir uma faixa etária que, em geral, se considera saudável, o diagnóstico muitas vezes acaba sendo adiado. Na maioria das vezes, o câncer de testículo se manifesta como um aumento de volume ou um nódulo em um dos testículos, geralmente sem dor. E é exatamente por não doer que muitos homens acabam não valorizando esse sinal.

Mas o ponto principal é: quanto mais cedo identificarmos o problema, maiores são as chances de cura, que podem ultrapassar 95% nos casos iniciais. Por isso, conhecer o próprio corpo e estar atento às mudanças é uma atitude simples e importante.

Diagnóstico: mais simples do que parece

Quando existe alguma suspeita, a investigação costuma ser direta. Exame físico, ultrassonografia e exames de sangue já são suficientes para esclarecer a maioria dos casos. Não é um processo complexo — o maior desafio, na prática, é não adiar a avaliação.

Existe também a preocupação com a fertilidade, função hormonal e o impacto emocional. Esses pontos fazem parte da abordagem desde o início. Sempre discutimos possibilidades como a preservação de esperma, e acompanhamos de perto os aspectos hormonais e psicológicos ao longo do tratamento. É preciso lembrar que, ainda há um certo constrangimento quando o assunto é a saúde íntima masculina, mas esse silêncio, pode atrasar o diagnóstico e, consequentemente, dificultar o tratamento.

Falar sobre o tema com naturalidade, procurar avaliação ao notar qualquer alteração e incentivar esse cuidado entre familiares e amigos são atitudes simples, mas que fazem diferença.

Tratamento e prognóstico

Geralmente começa com a cirurgia para a retirada do testículo acometido. Embora isso possa gerar preocupação inicial, trata-se de um procedimento seguro e com excelente prognóstico. Dependendo do tipo e do estágio do tumor, pode ser necessário complementar com quimioterapia ou apenas manter acompanhamento rigoroso.

Hoje, com os avanços da medicina, mesmo em situações mais avançadas, as chances de cura continuam elevadas. O câncer de testículo é, sem dúvida, uma das histórias de sucesso da oncologia. A mensagem final que deixo é: não ignore os sinais do seu corpo, não adie uma consulta.

O mês é de alerta, mas o cuidado é durante todo o ano. No câncer de testículo, o diagnóstico precoce faz toda a diferença — e, muitas vezes, significa cura.

*Dr. Claudio Murta

Urologista, Coordenador do Departamento de de Uro-Oncologia de tumor genitais, pênis, testículos e uretra da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo. É especialista em cirurgia robótica com mais de 20 anos de atuação.

 

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